O amor é como o amor faz, escreve M. Scott Peck; um ato de vontade, não um acidente que nos acontece. É desse lugar que partem Aura e Sol Santana, artistas transdisciplinares e companheires, para desenvolver Solaura (título provisório), um projeto de arte-vida dirigido por pessoas trans que procura formas de viver e amar enraizadas no cuidado, na intimidade radical e em ecologias queer. Partindo de Tudo Sobre o Amor, de bell hooks, propõe-se reimaginar vivências dissidentes no presente-futuro, cruzando gênero, sexualidade e cura através de uma coreografia feita de gestos mínimos, o beijar, o tocar, o olhar, o abraçar, o entrelaçar, num espaço-tempo onde água, som etéreo, reflexos luminosos e texturas translúcidas fazem parte da dramaturgia tanto quanto os corpos. Em Campilhas, o trabalho concentra-se sobretudo no som que acompanha essa dramaturgia e no movimento que dele não se separa, uma entre cinco fases de um processo que só terminará em 2027 e que passará ainda por Zurique, Viena, Londres, Leeds e várias cidades do Brasil, antes de regressar a Portugal em digressão.
direção artística e interpretação Aura e Sol Santana ‧ som Diana XL ‧ produção Diana Sofia Oliveira / Asterisco (PT) e Sölar (CH) ‧ apoio mala voadora ‧
14 a 24 setembro ‧ Campo Cultural de Campilhas (Santiago do Cacém)
