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mala voadora

philatélie

Os selos tornaram-se matéria arqueológica. Foram remetidos para aquilo a que se chama arquivo. Se, por um lado, a sua (iminente) extinção é compreensível – porque a comunicação se desmaterializou –, por outro esses pequenos pedaços de papel parecem ter tudo a ver com as imagens de síntese, destinadas a apreensão rápida, comuns na nossa vulgar “cultura visual”.
Em philatélie, os selos são resgatados e livremente reutilizados. Primeiro, figuras que fazem parte da nossa cultura são observadas com distanciamento, como se não soubéssemos nada sobre elas e tivéssemos de percebê-las apenas a partir da sua representação. Descobrem-se coisas surpreendentes. Depois, progressivamente, os selos são combinados para contar histórias nas quais se reinventa o mundo e a geopolítica: a Lady Di pode casar com Saddam Hussein; líderes islâmicos podem entrar na série Dallas; uma feminista pode pedir contas a Henrique VIII; os recursos do “ultramar” são reconsiderados; os portugueses voltam a introduzir as armas de fogo no Japão. Os ícones não são só aquilo que parecem.

Ficha Técnica

direção Jorge Andrade . texto Miguel Rocha . consultoria Ana Maria Simões . som Sérgio Delgado . com Anabela Almeida, Jorge Andrade e Sérgio Delgado . coprodução Fundação Calouste Gulbenkian - Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística