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mala voadora

Kaspar: Palavra Soprada

O espetáculo de auto-teatro Kaspar: Palavra Soprada está no epicentro do projeto de cruzamentos disciplinares “Parole Soufflée” com direção artística de Alexandre Pieroni Calado. “Parole Soufflée” promove a visibilidade da função do Ponto de Teatro, ao mesmo tempo que a discute enquanto imagem da condição do sujeito na sua relação com a linguagem. Kaspar: Palavra Soprada, resultado do encontro de três interesses que têm ocupado Alexandre Pieroni Calado nos últimos anos: a pesquisa das relações entre artes cénicas e o audiovisual, a investigação sobre o tratamento contemporâneo de grandes textos para teatro em língua alemã e o problema da disseminação do conhecimento imaterial das artes da cena. Tendo desenvolvido um ciclo de criações assentes em pesquisas sobre encenações e encenadores portugueses do século XX, Alexandre Pieroni Calado propõe agora uma criação assente numa pesquisa sobre a função do Ponto de Teatro. O Ponto é um dos artistas de teatro menos reconhecidos, sendo, contudo, alguém que acompanha todo o processo de ensaios, assim como a carreira de um espetáculo. Ao longo da história, as suas funções extrapolaram sempre soprar a deixa ao ator desvalido e compreenderam aspetos como a anotação das alterações do texto, o registo de indicações de cena relativas a adereços, luz, som, bem como a movimentações dos atores, entre outras. Trata-se de uma figura que aparece já no teatro do período Isabelino e que integrou as estruturas teatrais ao longo dos séculos até aos nossos dias, quando se aproxima efetivamente da extinção. Considerando a sua importância e a sua invisibilidade, urge trazer à luz o trabalho destes artistas de teatro.

Explorando o uso inventivo de recursos tecnológicos simples, o espetáculo Kaspar: Palavra Soprada coloca o espectador na situação de pontar uma virtual apresentação da peça Kaspar. Através de um monitor vídeo, que replica o sistema de circuito fechado existente nos teatros para mostrar o que sucede no palco, e de auscultadores, evocando o sistema de comunicação interna utilizado pelas equipas do teatro, munido de um guião de ponto, o participante assume a missão de garantir que a peça Kaspar é apresentada de acordo com o estipulado pela encenação. O recurso a registos sonoros binaurais, a possibilidade de utilizar imagens pré-gravadas e outras recolhidas em cada local de apresentação, bem como a exploração de meios digitais simples com vista à construção de momentos de interatividade são aspetos que contribuirão para a criação de uma experiência visceral e reflexiva, banal e de inesperado sentido poético.


Ficha Técnica

direção artística Alexandre Pieroni Calado . texto Peter Handke . tradução Anabela Mendes . peça sonora, fotografia João Ferro Martins . concepção, registo e pós-produção áudio Gonçalo Alegria . concepção, realização, edição e pós-produção vídeo João Seiça . produção executiva e comunicação Andreia Páscoa . desenho gráfico e de comunicação Miguel Pacheco Gomes . investigadores associados Prof.ª Dra. Anabela Mendes ,Prof. Dr. Bruno Monteiro, Prof.ª Dra. Eugénia Vasques, Prof. José Miranda Justo, Prof.ª Vera San Payo de Lemos . co-produção Teatro Nacional D. Maria II . apoio financeiro Direção-Geral das Artes, Governo de Portugal, Câmara Municipal de Almada, Embaixada da Áustria em Lisboa

Agenda

18 + 19 novembro (18h; 19h; 21h; 22h) . espetáculo Kaspar: Palavra Soprada de Alexandre Pieroni Calado . mala voadora

sábado e domingo: sessões de 1h de duração às 18h; 19h; 21h; 22h. As sessões têm uma lotação máxima de 2 pessoas. Inscrição prévia.