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mala voadora

Efígie

Efígie é uma proposta coreográfica, sonora e cénica.

Dou inicio a este projecto com a concepção de um arquivo sonoro, videográfico e fotográfico de animais e plantas extintas, lugares mortos e paisagens obliteradas que resultam numa “biblioteca do esquecimento”, funcionando como um conjunto de estímulos para a criação de um corpo, de cores, texturas e sons.

O corpo, construtor do movimento e do espaço cénico, viaja através de uma floresta (panorama  / orto utópico) referente a uma não-civilização, à neutralidade, ao niilismo, e à negação de um sistema capitalista. Vagueia por uma memória primordial, na possibilidade de manipular o tempo, recuá-lo, recuperá-lo. Este corpo, a que chamo agora transeunte, encontra-se, também, a desaparecer na escuridão, no abismo, na queda, na ameaça do desaparecimento, tal como a acção (performance).

Quando a acção termina ou se dissimula, o corpo deixa de ser performático? 

Emerge assim, a figura de um palhaço, que atinge o máximo da tristeza no limite da felicidade. No limiar da ficção e na relação com a presença de um olhar observador (público), surge um género de espectro referenciando a extinção de tudo e de um todo, o fim do nada, uma luz verde distante mas em modo de aproximação. Uma visão /ilusão positiva, portanto. 

Depois de tudo, surgirão outros tudos. A luz no fundo do túnel não é mais do que um outro túnel e outra uma luz, ininterruptamente.

Efígie é também uma metáfora para a criação, para a arte, para o corpo (aqui do artista), responsabilizando-me pela sua invencível e forçosa, talvez morte, apesar da inevitável regeneração.

Agenda

Agenda

22 junho - 2 julho . espetáculo Beaumarchais da mala voadora + Pedro Amaral . Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa

27 + 28 junho . ensaio aberto + espetáculo Showbusiness . mala voadora

1 (22h) + 2 (18h) julho . espetáculo Longo Curso de Rita Morais . mala voadora